
3ª feira, dia 28 de Outubro de 2008, 13 horas e uns quantos minutos.
Quatro figuras vestidas de negro vagueiam pelo Mercado Municipal cuscando os nabos expostos.
As vendedoras, adivinhando o que pretendem, aproximam-se cautelosamente dos tais produtos alimentícios, em gesto de protecção de propriedade.
Hesitantes e apreensivos, os estudantes balançam na decisão entre cumprir efectivamente a tradição, ou precaver-se de possíveis problemas com as autoridades (da fruta e dos legumes).
Uma das figuras trajadas repete constantemente "eu não sou capaz, eu não consigo, eu não sou capaz..."
Entretanto, avista-se numa banca isolada um atractivo molho de nabos, mas a dona da banca acusa-se quando o senhor do talho grita "Roubem aqueles que estão sozinhos!", ao que a dita senhora responde com um berro e um olhar feroz "Mas já têm dono!!!!".
Alguns ligeiros momentos de voltas e hesitações se processam quando, num momento muito preciso, a senhora se afasta até uma outra banca.
É nesse instante que a mais pequena estudante começa a calcular as probabilidades a seu favor: "Bem...ela é velha, está ali daquele lado, se eu for devagar e passar pelos nabos, saco de um num instante e saio porta fora, a velha não me consegue apanhar por mais que corra..."
E eis senão quando, de repente, num milésimo de segundo, surge um impulso irreflectido...e dá-se o assalto!
A velha desata a gritar "Apanhem essa p***!!!Anda cá sua p***, sua granda p***!!!".
Já cá fora, a pequena universitária pensa estar a salvo, com o coração a mil e o corpo a tremer de tanta adrenalina, quando olha para trás e vê um avental verde mesmo atrás de si e uma molhada de nabos e ramas a serem atirados contra ela!
Desata novamente a correr, só parando quando se esconde atrás da paragem, e apanha o primeiro autocarro que aparece.
Naquele momento sentiu-se tão delinquente, mas estranha e simultaneamente tão orgulhosa e satisfeita!
(...nunca, como nessa manhã, me senti cumprir tanto a praxe académica!)